Angela Maria & Agnaldo Timóteo – Ângela & Timóteo – Juntos (EMI-Odeon, 1979)

No último sábado, 30 de setembro, perdemos Ângela Maria, um dos maiores patrimônios da era de ouro da rádio no Brasil e intérprete de quase 70 anos de carreira. Sua morte aos 89 anos pegou de surpresa muitos fãs e até mesmo quem não conhece muito de sua trajetória, repleta de vitórias e fracassos, tanto pessoais como profissionais.

Hoje, como uma forma de homenagem (sem pretensões), falo hoje sobre o disco Juntos, que ela gravou com seu pupilo e ex-motorista Agnaldo Timóteo,  na ocasião um cantor de repertório romântico vitorioso. Não raramente, Agnaldo chegava ao extremo da cafonice certas vezes, mas nesse disco ele está em ótima forma, sob medida, requintado – como em alguns de seus LPs da década de 70. Isso se deve muito a presença de Angela, que mesmo tendo cantado diversas músicas de segunda e terceira mão pelo decorrer da vida (em contraste com pérolas colhidas, algumas vezes, por sorte), dignifica com seu canto bem lapidado muitas boleros coerentemente chiques, assim como coisas mais modernas da Bossa Nova no repertório do álbum.

De moderno, o projeto inclui o Samba em Prelúdio (Vinicius de Moraes e Baden Powell) e Travessia (Milton Nascimento, Fernando Brant), dentre outros clássicos; da verve mais popular, estão presentes Mamãe (hino carro-chefe de Angela e Timóteo, juntos ou separados), Brigas (Evaldo Gouveia e Jair Amorim, hit de Altemar Dutra em 1966), além de um Pot-Pourri com as músicas Sorri (versão de Smille de Charles Chaplin), Perfidia e Lembrança, ambos os três sucessos latinos. Clássicos sertanejos como Cabecinha no ombro também fizeram parte do álbum.

O LP foi lançado em maio de 1979 e causou muita comoção, gerando uma série de admiradores, dentre eles o renomado jornalista e crítico Tárik de Souza, que elogiou o disco. Um dos objetivos do álbum era atrair um novo público para ambos os cantores, até então muito inseridos no universo “brega” da música popular brasileira.

Um dos pontos mais altos do álbum é o trabalho do arranjador Lindolpho Gaya, que mantém uma ponte entre o conservadorismo da orquestra grandiloquente com umas pitadas de modernismo da época, representado pelo sintetizador em algumas músicas.

O álbum teve uma reedição na década de 80, nos formatos LP e K7 com a ordem do repertório alterada e algumas músicas das sessões substituídas por algumas delas que forma lançadas somente em um compacto promocional. A primeira (e única) edição em CD foi lançada somente no segundo volume do box da discografia de Agnaldo Timóteo da década de 70, pela Discobertas, em 2012 com a íntegra do repertório, mas sem nenhum esmero na qualidade de remasterização, apresentando erros crassos.

  • Ficha Técnica:
  1. Álbum: Ângela & Timóteo, Juntos
  2. Artista: Angela Maria & Agnaldo Timóteo
  3. Produção: Miguel Plopschi
  4. Direção Musical: Lindolpho Gaya
  5. Selo: EMI-Odeon
  6. Gravadora: EMI
  7. Gênero: MPB
  8. Ano: 1979
  • Faixas:
  1. Meu Primeiro Amor [Lejania] (José Fortuna; Pinheirinho Jr.; H.Gimenes)
  2. Samba em Prelúdio (Baden Powell; Vinícius de Moraes)
  3. Sabe Deus [Sabra Dios] (Álvaro Carrillo)
  4. Travessia ( Milton Nascimento; Fernando Brant)
  5. Mamãe (Herivelto Martins; David Nasser)
  6. Ontem e Hoje (Irany de Oliveira)
  7. Pot-Pourri: Sorri [Smile] (Charlie Chaplin; John Turner; Geoffrey Parsons; Versão: João de Barro) – Perfidia (Alberto Dominguez; Versão: Lamartine Babo) – Lembrança [Un Recuerdo] (Chucho Martinez Gil; Versão: Serafim Costa)
  8. Cantando (Mercedes Simone)
  9. Meu Nome é Ninguém (Luiz Reis; Haroldo Barbosa)
  10. Só Nos Dois (Joaquim Pimentel)
  11. Canção da Criança (René Bittencourt)
  12. Brigas (Evaldo Gouveia; Jair Amorim)
  13. Cabecinha no Ombro (Paulo Borges)*
  14. Saudades do Matão (Jorge Galatti; Raul Torres)*
  15. Jura-me [Jurame] (María Grever; Versão: Osvaldo Santiago)*
  • * = Faixas Bônus reeditadas na edição em CD

Fonte: O GLOBO DA MÚSICA