Fernando Falcão – Memória das Águas (1981)

O percussionista, compositor, cantor, escultor e poeta paraibano; Fernando Falcão, exilou-se em Paris logo após a promulgação do AI-5, devido sua militância estudantil em João Pessoa. Lá, se envolveu com arte, claro, e casou-se c/a atriz Valerie Klinh, filha do escultor François-Xavier Lalanne.

Falcão morou 15 anos na França, e gravou de forma independente o álbum “Memória das águas”, enquanto trabalhava c/música, teatro e esculturas, aproveitando para aprimorar sua pesquisa e criação de peças híbridas, que funcionavam tb como instrumentos musicais, a exemplo do Balauê (um berimbau horizontal), presente no LP. O disco é uma viagem de paisagens sonoras e cinematográficas entre Brasil, Europa e África, c/sua polirritmia afro e brasileira (que de tão original chega a ser futurista devido seu ineditismo e originalidade), gravações de campo, acentos folk e o jazz miscigenados pelo berço brasileiro e ouvidos europeus, sem nunca deixar de marcar sua geografia e identidade. O disco foi lançando no Brasil em 81 pelo selo independente “Poitou”, reeditado em 2019 (Optimo Music/SelvaDiscos), e contou c/músicos brasileiros e franceses, dir. musical do próprio Falcão e do maestro José Luiz Castiñera, contando c/Amado Maita na coordenação.

Com experimentalismos de vanguarda, além da sonoridade Afro e música popular brasileira, onde destaco a percussão original de Guiné e vocais que dão o brilho junto aos sopros, em “Curimão”, o canto gravado das andorinhas junto ao galope nordestino de “Revoada”, o experimentalismo c/destaque pro Balauê em “Solito”, “Ladeira dos inocentes” traz arranjo de alma africana, riffs de metais marcantes e clima que remete à profundidade da obra de outro percussionista; Pedro Santos. “Danado cantador”, uma homenagem à Fagner e “Amanhecer Tabajara” dedicada a Alceu Valença, dois artistas c/quem Falcão trabalhou anos depois.
Fernando apresentou-se na África e Europa, além do Brasil.

Ainda gravou os álbuns “Barracas Barrocas” em 87 e “Engenho dos meninos” de lançamento póstumo em 2003, após seu falecimento, em 2002.
O artista ainda nos deixou dois livros de poesia.

Publicado em @revistasdecultura

Fonte: DJ Marcello MBgroove