Ivan Lins – Ivan Lins, Agora (1971)

A trajetória musical de Ivan Guimarães Lins começa em 1963, após assistir uma apresentação do Tamba Trio no programa de televisão de Bibi Ferreira na TV Excelsior. Isso o fez aprender a tocar piano, se tornando autodidata. A partir de 1965, apaixonado pela Bossa Nova, forma o Alpha Trio, no qual foi pianista e que teve como baixista o falecido diretor de TV Roberto Talma.  Em 1968, tem sua primeira composição interpretada por um artista – o sambista Cyro Monteiro defendeu o samba partido-alto “Até o Amanhecer”, parceria de Ivan com Waldemar Correia, no Festival Universitário exibido pela TV Tupi em 1968. “Até o Amanhecer” também foi sua primeira música a ser gravada, fato realizado pela cantora Myrna, em obscuro compacto gravado para o selo Chantecler em 1969.

Em seguida, intérpretes como Elza Soares (Pro Que Der e Vier), O Grupo (Mutante), Wilson Simonal (No Clarão da Lua Cheia) e Evinha (Agora) gravaram suas músicas, todas feitas em parceria com Ronaldo Monteiro de Souza. Mas a sua grande consagração viria com a gravação definitiva de Elis Regina para “Madalena”, lançada em compacto duplo pela Philips em 1970.

Ao mesmo tempo Ivan Lins começava a despontar sua imagem no V Festival Internacional da Canção, de 1970. O músico apresentou “O Amor é o meu País”, que no início foi elogiada pela imprensa mas logo em seguida foi taxada de ufanista, causando um certo desprestígio para a imagem do então iniciante músico. A música chegou a final conquistando o 2º lugar da vitória, perdendo apenas para Tony Tornado e o Trio Ternura, que defenderam a emblemática “BR-3”.

Com essa notabilidade, a Companhia Brasileira de Discos contratou Ivan Lins. E o músico fez a sua estréia em disco com o compacto simples que tinha as músicas “Agora” e “Finalmente”, pelo selo Forma, em 1970. em seguida, veio mais um compacto simples com “O Amor é o meu País” e, finalmente, no início de 1971, chegou as lojas o álbum “Ivan Lins, Agora…”, pelo selo Forma.

Devido a falta de experiência e por não acreditar ter capacidade de ser cantor, Ivan gravou as sessões “de fogo”. Algumas faixas foram compostas nas sessões de gravação e Ivan pediu pra apagar as luzes ao gravar, cantando de costas para o produtor Paulinho Tapajós. Comédia a parte, as bases foram gravadas e Ivan fez o “Playback” do repertório. O Ivan Lins desse primeiro LP ficou conhecido como o pianista da voz rouca. Isso se explica devido ao fato de compor imaginando que as suas músicas pudessem ser gravadas por nomes como Thelma Houston, Jimmy Webb, Blood, Sweet and Tears e outros nomes do Soul. Aliás, o Soul foi a grande inspiração de todo o disco, que teve arranjos do Maestro Arthur Verocai, na época já demonstrando as suas influências de vanguarda a la Frank Zappa.

Agora, a ficha técnica da primeira edição em CD, de 2002, comprova o que eu sempre achei desse disco: Ele foi feito as pressas, no tapa. O álbum parece uma “jazz session”. Ivan compôs todas as faixas do LP, em sua maioria junto com Ronaldo Monteiro de Souza, seu principal parceiro na época. O Ivan dessa fase também é marcado pelas canções humanistas, de poesia densa.

Faixas:

01 Salve, Aleluia
02 Agora
03 Emy
04 Minha História
05 A Próxima Atração
06 Novamente Nós
07 Corpo Folha
08 O Amor é o meu País
09 Madalena
10 Baby Blue
11 Hei, Você
12 Tanauê (Ou se um Índio fosse consumido pela Civilização)

Todas as faixas são composições de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, exceto:

Faixa 04: Ivan Lins, Arthur Verochai e Paulinho Tapajós
Faixa 10: Ivan Lins, Otávio Bonfá e Paulinho Tapajós
Faixa 11: Ivan Lins, Ronaldo Monteiro de Souza e Sidnei Matos
Faixa 12: Ivan Lins, Ronaldo Monteiro de Souza e Rolando Faria

Fonte: O GLOBO DA MÚSICA