Jorge Degas & Marcelo Salazar – União (1984)

A dupla Degas e Salazar gravou 2 álbuns na dec. de 80, c/ diferencial focado no diálogo sonoro dos instrumentistas, ambos nascidos no RJ. Degas, músico de periferia, autodidata, que assumiu o baixo após iniciar na guitarra e Salazar, percussionista de primeiros trabalhos ligados à trilhas de teatro e musicais p/TV. Ambos trabalharam c/diversos artistas, ajudando na maturação deste que veio a ser o 1º trabalho gravado da dupla.

Degas tocou c/Paulo Moura, Al Di Meola, Alceu Valença, Martinho da Vila e muitos outros, participando de seminal LP do Quarteto Negro (87), que além de Moura, contava com Djalma Correa, e Zezé Mota, e c/Cidinho e o Som Tropical, no LP “Muito Suingue”, enquanto Salazar , percussionista 🥁, fez parte do grupo Index (77), gig instrumental do pianista Marcos Resende e do saxofonista Oberdan Magalhães, gravou com Nelson Ayers, Ney Matogrosso, Sivuca, Waltel Branco e os grupos gringos; Odyssey e Passport.

Em 84, via selo “JM”, lançaram “União”, álbum conceitual e instrumental, que no ano seguinte ganharia o Troféu Chiquinha Gonzaga como um dos 12 melhores álbuns instrumentais, e que trazia uma turma pesada, acompanhado a dupla. Paulo Moura, Jovi Joviniano, Leo Gandelman, Jacques Morelenbaum, Zeca do Trombone, Cidinho Teixeira, Paulinho Trumpete, Pascoal Meireles, Rildo Hora, Elber Bedaque e Wilson Meirelles formam a linha de frente poderosa do LP, onde destaco “Ballali” um jazzdance com mais de 140 bpm com quebras rítmicas e vocalizes da cantora Loma, “Ilha Grande” de Morelenbaum, um fusion de tempo alto, climática, dançante e temperada pelo sax de Leo Gandelman, “Sala de espelhos” destacada pelos slaps de Degas (tb em “Poeira”) e presença sutil de Paulo Moura, duetando com os bongôs de Salazar, a massa sonora e rítmica com ataque de metais de “Sangue Quente”, harmonas lindas de “União” e o Brasil profundo a afro de “Missa”.

Publicado em @revistasdecultura

Fonte: DJ Marcello MBgroove